Tell a Story – Levar Portugal num Livro

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Há uma carrinha que anda pelas ruas de Lisboa a vender livros de autores portugueses, traduzidos em línguas estrangeiras.  O projeto chama-se Tell a Story, mas não é uma simples livraria ambulante. É um encontro de culturas que as letras portuguesas proporcionam.

LEVAR PORTUGAL NUM LIVRO

Quando Domingos Cruz quis oferecer, a um amigo chileno, o livro “Os Maias” em espanhol, não conseguiu encontrar em lado nenhum. Foi então que se lembrou que podia fazer negócio com uma livraria especializada para estrangeiros. E foi assim que nasceu a Tell a Story.

Domingos Cruz é um dos três sócios da Tell a Story. A este advogado se juntaram João Correia Pereira, publicitário, e Francisco Antolin, o único dos três que está dedicado a 100% ao Tell a Story.  «O Francisco viveu fora muitos anos, em muitos sítios, Londres, Paris, Barcelona, Bruxelas, Nova Iorque… Tem uma bagagem cultural e uma capacidade de se expressar em vários idiomas fora do vulgar, o que lhe permite interagir muito bem com os estrangeiros.»

O projeto, que anda na cabeça dos sócios desde 2010, conheceu a luz do dia há pouco mais de um mês. «O conceito é muito simples. Dar a conhecer os autores portugueses aos estrangeiros que visitam ou vivem em Portugal. E em vez de esperar que os turistas venham até nós, somos nós que vamos ao encontro dos turistas», diz Domingos Cruz.

Para isso, arranjaram uma carrinha que anda pela cidade de Lisboa, com cerca de 300 livros a bordo, e pára em pontos por onde passam os turistas. Especificando melhor, para já, e de acordo com o combinado pela Câmara Municipal de Lisboa, a carrinha pode estar em Santa Apolónia, Cais do Sodré, Príncipe Real, São Pedro de Alcântara, Basílica da Estrela e Belém. Todos os dias vão variando de local e, de terça a domingo, entre as 10h e as 20h, abrem as portas da carrinha e colocam os livros à mostra para seduzir os clientes.

O usar uma carrinha tornou o negócio itinerante ainda mais apetecível e original. Livrarias há muitas, mas nenhuma que vá ao encontro do público estrangeiro nas ruas da capital portuguesa. E foi durante uma das viagens de Domingos Cruz, pela China, que surgiu a ideia.

«Os livros em inglês são vendidos em carrinhos de fruta, no meio da rua. Esse, creio, que foi o momento “Eureka”». E foi a partir daí que começou a crescer a Tell a Story. «Era uma vez um país nascido com o dom da escrita, um autor que queria contar uma história, um livro que queria ser lido, um turista que não falava português, e uma livraria que não sabia manter-se no mesmo lugar. Todos eles uniram-se. E escreveram uma nova história», diz o site da Tell a Story.

Começaram primeiro com o que chamam de «catálogo pequeno», com livros de Fernando Pessoa, José Saramago, António Lobo Antunes, Sophia de Mello Breyner, Eça de Queiroz, Miguel Torga, Miguel Sousa Tavares, Almada Negreiros e Aquilino Ribeiro. Mas, em breve, essa lista poderá mudar, até porque, contam-nos, «já começamos a entender quem são os nossos clientes-tipo e estamos a ajustar a oferta».

A carrinha, azul e branca, uma Renault Estafette, de 1975, foi encontrada em Alcanena. Diz Domingos Cruz que o facto de ser francesa, ajuda a que os franceses sejam os primeiros a olhar com curiosidade. «Já nos disseram que era a carrinha da polícia de choque francesa», adianta. O veículo é fotografado centenas de vezes ao dia. Uns são apenas curiosos, outros querem levar Portugal com eles, através de um livro.

«A reação dos turistas é muito boa. Quando se aproximam e entendem o conceito, mesmo que não comprem, acham uma excelente ideia. Os turistas que compram são a nossa inspiração. Cada um tem uma história diferente para contar», afirma Domingos Cruz. E apesar do projeto ser recente, uma das histórias já ficou para a posteridade: «um turista americano ficou cerca de 15 minutos a ver os livros, comprou “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, foi buscar um copo de vinho e sentou-se debaixo de uma árvore no Jardim do Príncipe Real toda a tarde a ler o livro».

Os livros mais vendidos são de Fernando Pessoa e quem compra mais são os turistas francófonos. Os preços dos livros variam entre os 12 e os 20 euros mas a Tell a Story não quer simplesmente vender livros: «pretendemos proporcionar uma experiência na aquisição do livro, e não uma mera compra». É algo mais personalizado, que pretende deixar uma marca a quem se deixa levar pela leitura. «Aconselhamos o livro, explicamos a obra, damos um postal com as nossas frases preferidas de cada autor, damos um lápis para escrever as anotações na margem. Queremos transmitir boas sensações e sobretudo transmitir o nosso respeito pelo livro enquanto objeto», diz Domingos Cruz.

Para já, têm livros em inglês, francês, espanhol e alemão. No site http://www.tellastory.pt vai encontrar letras criadas especificamente para a Tell a Story, para que qualquer pessoa possa escrever com a letra dos autores. «Pedimos a uma perita em caligrafia para desenhar a fonte, com base na caligrafia dos nossos escritores», desvenda Domingos Cruz. Ainda no sítio da Internet fica uma despedida com um regresso prometido: «Leve os nossos livros consigo e regresse a Portugal sempre que sentir saudade».

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