Um Chef em sua casa

Descobriram a arte de cozinhar ainda muito novos e alguns fizeram disso a sua profissão. Recentemente descobriram um novo nicho de mercado que consiste em levar a qualidade dos seus serviços à comodidade da casa dos clientes. Quem nunca sonhou ter um chefe só para si?

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Rui Jordão de Menezes é um pioneiro na ideia de levar os seus dotes gastronómicos às cozinhas de outrém. “Para vos mostrar e dar exemplos do que costumo cozinhar em casa dos clientes, escolhi coisas frescas e simples, que combinam com o tempo quente de agora”, diz o chefe.

Na mesa espalha os pratos que confeccionou: fingers de cenoura com creme de iogurte com ervas frescas, cogumelos cobertos com salmão fumado e queijo “Boursin” de alho e ervas, “crostini” barrado com “pesto” de coentros com salmão e creme de requeijão com ervas; salada de morangos marinados em vinagre balsâmico reduzido, com queijo fresco, nozes e peito de frango fumado e crumble de maçã reineta com canela  com “sorbet” de frutos silvestres. Já lhe abrimos o apetite?

“Gosto de inventar e, em redor da cozinha mediterrânica, gosto de fazer o cruzamento de vários géneros e de fundi-los”, confessa o chefe. Rui Jordão de Menezes é o Chef@home (lê-se chef at home, ou seja, chefe em sua casa). Nesta sua empresa propõe-se a cozinhar na casa das pessoas, seja para um jantar a dois ou para uma festa com vários convidados. A componente central é a mesma em ambos os casos: “está na privacidade de sua casa e tem o serviço de um chefe de restaurante de luxo”.

Há cerca de 14 anos, Rui Jordão tinha acabado o secundário e não sabia o que queria seguir. Apenas sabia que não queria ir para a faculdade. “Pus-me a pensar no que gostava mais de fazer e como, em casa, tinha o hábito de fazer os jantares decidi tirar um curso de cozinha. Claro que o curso só fazia uma abordagem e só com a experiência profissional que veio a seguir é que consegui evoluir”, conta Rui Jordão de Menezes. Frequentador assíduo de cursos de culinária “porque precisámos sempre de evoluir, foi recentemente fazer um em Milão, Itália. “Gosto muito da cozinha italiana, porque é muito saborosa e divertida”, brinca o chefe. 

O seu primeiro emprego foi perto de casa num restaurante em Pombal, mas decidiu regressar a Lisboa para “evoluir profissionalmente”. E a paixão de cozinhar nunca esmoreceu: “a nossa cozinha é muito boa e tem coisas óptimas para se aproveitar, sempre gostei de me aventurar mais um bocado”. Passou por vários restaurantes, entre os quais o Café Café, Spazio e Olivier até que se lembrou de se lançar no projecto Chef@Home.

 “A ideia já me tinha surgido, até porque os clientes dos restaurantes onde trabalhava pediam-me o serviço em casa delas, ou em festas, e vi que havia um nicho de mercado a explorar”, destaca Rui Jordão de Menezes, de 36 anos. “Porque não levar um chefe a casa?”, questiona, explicando que “as pessoas querem estar mais à vontade e podem beber o que quiserem, já que não vão sair para conduzir. Então, porque não levar o serviço de restaurante a casa das pessoas?”. E assim surgiu o seu novo negócio.

“Já servi só para duas pessoas, assim como para 40 convidados. Quando é muita gente claro que conto com um ajudante. O serviço começa por ver o espaço físico, o tamanho e condições da cozinha e, quando são mais pessoas, tenho quem me ajude a servir”, explica. Mas a maior parte do negócio “são jantares pequenos e românticos. De raparigas que querem fazer uma surpresa aos namorados, por exemplo”. “As pessoas têm uma ideia do que querem comer e do serviço, mas eu sugiro sempre coisas, tendo em conta os gostos dos clientes, é claro. A reunião inicial serve para isso mesmo, para saber que comidas não gostam, por exemplo”, sublinha.

Neste serviço gourmet, Rui Jordão de Menezes refere que “mesmo que seja com muita gente, o objectivo é sempre fugir ao catering convencional. Isso qualquer um faz. No meu caso gosto de privilegiar a apresentação e a qualidade, quero fugir à conotação da cozinha a metro”, destaca o chefe. “Também gosto muito da cozinha vegetariana, mas principalmente primo por fazer uma cozinha saudável. Não gosto de fritos, por isso, já é um princípio saudável”.

Hélio Loureiro é um dos mais conhecidos e mediáticos chefes portugueses. Também ele já serviu e serve em casa de clientes. “Um dos casos foi um jantar romântico, em que o rapaz organizou tudo e fez o pedido de casamento à rapariga. Foi uma grande surpresa para ela, porque nem imaginava o que a esperava”, recorda o chefe.

Ao serviço da Solinca, Hélio Loureiro organiza desde jantares a dois, até casamentos e festas de aniversário com o catering, que pode incluir festas no jardim de casas particulares, por exemplo. “Os menus são feitos a pedido pelo cliente, consoante a altura do ano em que estamos e na região em vamos servir. Nós ajudamos na escolha e selecção dos pratos e, antes, os clientes vão provar ao hotel (Porto Palácio Congress Hotel & SPA) e fazem as escolhas do que querem comer”.

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Cozinho por si

Para Raquel Viegas a ideia de ir cozinhar a casa das pessoas “surgiu de um impasse”. “Estava a acabar o curso de economia, e não havia grande motivação. Comecei a pensar no que me dá gozo fazer e o cozinhar é algo de família e que me está no sangue”, explica. “Fiz alguma pesquisa e não havia grande oferta deste tipo de serviços e decidi experimentar para ver se resultava. Um amigo fez-me o site “Cozinho por Si” para que divulgasse e acabaram por aparecer alguns contactos”. “Entretanto”, conta Raquel, “acabou por aparecer um cliente para fazer pratos variados divididos em doses para toda a semana. E ao longo da semana vai tirando o que quer. Mora sozinho e não sabe cozinhar e não gosta de ir comer fora, por isso procurou os meus serviços. Se, na altura ainda estava com dúvidas quanto ao negócio, com o contacto decidi avançar”. Raquel mudou entretanto de curso e este ano termina Gestão de Marketing. “Deixei de ter tanto tempo para o projecto, mas continuo com o cliente e cheguei a fazer festas de aniversário para adultos e crianças”. “O objectivo é ir cozinhar a casa do cliente, de forma a que a pessoa tenha toda a comodidade. Pode estar a fazer outras coisas enquanto eu cozinho por ele. Também posso fazer as compras para as refeições”, exemplifica Raquel.

 

Um chefe personalizado

Há cerca de dois anos José Serrano criou o serviço “Personal Chef” porque “começou a ser procurado por algumas pessoas para fazer jantares e foram as mesmas que me sugeriram que criasse o serviço”.

“O conceito é personalizar ao máximo, cada caso é um caso, são jantares mais privados”, explica o chefe, actualmente ao serviço do restaurante do Hotel Grande Real Villa Italia, em Cascais. Já preparou também jantares românticos: “o namorado quis surpreender a namorada. Ele sabia cozinhar mais ou menos, mas queria a presença do chefe”, conta José Serrano, que confessa “sempre gostei de cozinhar, estava muito na cozinha em casa com a minha avó e quando chegou a altura de ver o que queria fazer da vida, decidi tirar o curso”.

“Quero que “Personal Chef” seja algo único e que eu consiga surpreender o cliente, com pratos bem apresentados de alta cozinha. É como trazer um restaurante de luxo a casa da pessoa”, adianta José Serrano, de 30 anos.

 “Hoje em dia as pessoas querem este tipo de serviço e coisas diferentes. A procura é de pessoas que gostam de receber pessoas em casa e assim podem estar à vontade. Gostam de receber os amigos e gostam de o fazer sem se preocuparem com as compras e comida e com a realização do evento em si. Assim, podem preocupar-se só com o receber os convidados. Não têm de ver o que está no forno”, explica.

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Afrodisíaco em casa

 Cláudia Fernandes tem no restaurante “Afreudite”, em Lisboa, um serviço também único. Levam até casa dos clientes a cozinha afrodisíaca, preparada pelo chefe Darius Svabaitis, que também é servida naquele restaurante.

O projecto começou em 2007 e pode funcionar de duas formas, explica Cláudia Fernandes: “o cliente escolhe o menu que pretende, o chefe desloca-se a casa do cliente, prepara e decora a mesa, leva a louça necessária e confecciona tudo em casa do mesmo, que pode aproveitar a oportunidade para aprender como se preparam alguns pratos afrodisíacos”. Por outro lado, conta a responsável “existe o serviço de entrega gourmet. Preparámos os pratos desejados no restaurante e entregamos em casa. Consiste em duas entradas, dois pratos principais e duas sobremesas”. E o convite fica no fim, é que segundo Cláudia a comida afrodisíaca “deixa água na boca e fogo no corpo”.

MAIS INFORMAÇÕES

Chef@Home
http://chefathomept.blogspot.com

Hélio Loureiro
www.solincaeventosecatering.com.pt

Personal Chef
www.thepersonalchef.pt

Cozinho por Si – Raquel Viegas
http://cozinhoporsi.pt.vu

 Restaurante Afreudite
www.afreudite.com

(Publicado em Agosto de 2009 na Notícias Magazine)

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